16 de março de 2016

97.

Inquisição poética


O que estamos fazendo? Você faz alguma ideia? Pra onde estamos indo, a troco de que? Você ao menos sabe? Essa dança, esse jogo, essas regras, qual o sentido? Quem me colocou aqui? Como eu me coloquei aqui? É muita coisa, um mundo inteiro pra um corpo tão pequeno, tão frágil, uma força tão minúscula. Não me refiro a mim, mas a nós. Esse corpo de pétala de flor, de casca de folha, tentando segurar uma ventania, uma tempestade, uma pedra. Ele morre, sabia? Você faz alguma ideia de pra onde vamos? Depois que as luzes apagam, a gente acende as velas, junta a família e conta uma história ou vamos pro paraíso? Depois que o corpo morre, nós viramos terra? Paramos de questionar o mistério e nos tornamos parte dele?

Olho pra dentro. O que é isso que fizeram de mim? O que é isso que me tornei? Eu tenho controle, escolha? Como eu mudo? E se eu cortar e pintar o cabelo, fazer tatuagem das minhas bandeiras, dar um grito bem alto, isso move as ondas do mar que somos? E se eu explodir, uma explosão insuportavelmente silenciosa, será que eu me liberto em vôo de borboleta?