A garrafa com um sonho dentro.
Na beirada do rio ela estava, era uma manhã ensolarada e tudo tinha ficado meio amarelado, se sentou e colocou sobre as pernas um pequeno caderno, com cuidado passou seus cabelos para o lado esquerdo e suspendeu suas pernas para fazer de apoio. Ao seu lado estava uma garrava transparente e pequena com uma rolha que a tampava. Pegou o lápis e depois de alguns segundos olhando fixamente pro grande rio azul, explorando cada parte que podia ser vista, já sabia o que escrever. E assim pôs no papel com linhas azuis:
Te espero. E mesmo que me canse, mesmo que eu queira acabar com a esperança que carrego. Te espero, te espero, mesmo sem querer.
E você deve estar se perguntando: Te espero? Espera quem? — Ela esperava muitas coisas: um amor, amigos verdadeiros, felicidade, sonhos realizados, sorrisos, aquela carta era para muitos, porém nenhum destinatário a receberia. A garota enrolou o papel com cuidado, o colocou dentro da garrafa e tampou-a novamente com a rolha; ergueu o objeto até a atura do rosto e olhou a carta lá dentro — sorriu — não sabia aonde ela chegaria, mas sabia que, certamente, iria à algum lugar. E jogou a garrafa no rio, deixou-a a mercê dos ventos. E, sem ter saído do lugar, ficou olhando ela ir pra longe.
Abraçou as pernas dobradas e olhou fixamente pro grande rio azul, explorando cada parte que podia ser vista, já sabia onde ir, iria de volta para vida, para casa, para o seu mundo real e não-belo. E lá estava ela, a mercê dos ventos, como a garrafa jogada no rio, lá estava ela, sem saber aonde chegaria, mas sabendo que, certamente, iria à algum lugar.