1 de maio de 2011

02.

Fantasmas da noite.

Estar sozinha é não ter ninguém por perto. Se sentir sozinha é quando não há no mundo ninguém disposto a estar por perto, a te ajudar. Certo dia, estavamos eu e os fantasmas, e eu me sentia só, pedia aos prantos para conseguir dormir o mais breve possível naquela noite, desejando que esses fantasmas que esfregam verdades racionais demais, desaparecessem. Tampava os ouvidos diante do silêncio, mas o que eu queria na verdade era não escutar o que eles sussurravam: coisas sobre a vida e sua falta de sentido, sobre como a felicidade não existia e as pessoas machucavam, coisas que eu estava cansada de saber, mas que machucavam milhões de vezes mais quando ouvidas à noite, no silêncio, no escuro, no frio e na solidão, porque misturar tudo isso com a presença absurda de perguntas e a total ausência de respostas, dói mais do que se pode imaginar.

Eu lembro que a vontade de chorar sem ter que se preocupar com os ouvidos alheios era enorme, e que eu procurava aqui dentro uma mínima resposta e não encontrava, eu imaginava coversar com alguém que na realidade eu gostaria que se importasse, mas por parte eu sentia vergonha, vergonha dessa maldita fraqueza que me invadia, dessa minha incrível capacidade de fazer da vida um drama, e de querer não existir, mas com conciência de que nem em sonho eu teria coragem de tirar a minha vida. Eu olhava pela janela do meu quarto, que dava até à grade da garagem composta por algumas partes onde se podia ver o céu, eu olhava pro azul escuro, e pedia, por favor Deus, me faça dormir e entrar em um sonho bom, um lugar melhor do que esse, com sorrisos e ausência de lágrimas, e tire todos esses fantasmas daqui, toda essa racionalização da vida, pois quero ser ignorante, quero não saber que tudo no fim pode não terminar com "e eles foram felizes para sempre", que tudo pode não ter sentido, nem valer a pena. Tentei pensar em uma vida melhor, criei meu próprio sonho já que o sono não vinha, até que acordei com o alarme do celular tocando a música "garotos" de leoni, quando na verdade eu escutava algo mais ou menos assim: acorda, a vida continua.

3 comentários:

  1. Incrível ver a facilidade para expressar seus sentimentos em belos textos que só nos deixa mais calmos. Confesso que ao ler seu texto, senti que havia um ombro amigo bem perto de mim, alguém que compreende o que sinto. És encantadora, o texto é encantador, de verdade.

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  2. Obrigada anjo, que bom que você gostou. Fico feliz quando vejo que as pessoas se sentem melhor ao ler os meus textos. Volte sempre.

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  3. “Era o tempo dos deuses... Havia uma civilização onde a harmonia e o amor reinavam, uma civilização muito, muito diferente. Os seres possuíam quatros braços, quatro pernas, duas cabeças e dois troncos distintos, um tronco feminino e masculino, mas.. com apenas uma alma. E esta harmonia provocou a fúria de outros deuses. Então, os outros deuses, enfurecidos enviaram uma tempestade com relâmpagos e trovões naquela civilização.. E cada relâmpago que caía na civilização atingia um ser, foram dois dias e duas noites de tempestade e fúria. Os corpos eram divididos pelos relâmpagos e levados pelas águas, separando a parte feminina da masculina e dividindo sua alma ao meio... E, assim muitos se perderam, muitos ficaram sozinhos, mas conseguiram sobreviver. E, até hoje vivem na luta e na busca de sua outra metade, a sua Alma Gêmea. E é por isso que sentimos esse vazio no peito. Alguns, ingênuos, conseguem ser felizes pela metade. O vazio é apenas a nossa meia alma, com saudades de quando era uma só. É assustador, mas, ao mesmo tempo, é esperança e felicidade: imagina, alguém nesse mundão só pra gente?"

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