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18 de fevereiro de 2013

67.

Ossos pneumáticos.

Quando a boa notícia esperada não veio
quando não podia mais chegar
eu fui lá fora pegar a toalha do varal.
Corria um vento suave
e o frio era acolhedor.
"Se eu ao menos pudesse voar", pensei.
Não podia.
Se eu ao menos pudesse fugir, pensei.
Não devia.

Eu queria que algo subversivo acontecesse
algo que mudasse as preocupações do futuro
que fizesse tudo de importante ser bobagem.
Ah se a vida tomasse um rumo inusitado!

Acho que sou um pássaro preso em corpo de gente
como um cisne em meio ao patos
acho que estou fadada a nunca ir para casa.

Se ao menos eu pudesse voar...
Ir pra bem longe, despreocupar disso, jogar tudo pro alto,
mas estou presa no chão como planta
e das estrelas só posso ter a vista
de infinitos anos-luz de distância.

31 de outubro de 2011

37.

Quando chorar é melhor que sorrir.

Um espelho de moldura dourada em um quarto com paredes branco neve.
Nada mais. Sem detalhes. É isso que tenho sido desde o dia o qual não sei ao certo.
Me perdi, devo confessar, estou cada vez mais distante do que sou, entretanto, não estou distante do que quero... Não mais do que sempre estive.
Digo, com uma branda sinceridade, que é horrível ser esse espelho e aqui vai um conselho: nunca o seja. Larguei de lado minha bela tristeza e solidão. Certa noite esperei pelas palavras e elas não vieram, procurei as lágrimas e não as achei. No começo cheguei a pensar que talvez aquilo fosse um bom sinal, que as coisas estavam, naturalmente, tomando um rumo mais agradável.
Depois de uns dias queria de volta as minhas palavras tristonhas, meus sentimentos tão belos como uma canção de ninar. Percebi que a vida, do jeito era, não era triste nem feliz, mas vazia e não-bela, disfarçadamente vazia, sem objeções, sem desejos. E aos poucos, sem perceber, vim parar dentro deste espelho.
Quando chega a noite lembro-me que a cada segundo do dia eu estava a ser apenas o reflexo patético das pessoas que passaram por esse quarto com paredes branco neve, e tento todos os dias ser como uma flor simples e bela dentro de um jarro em cima de uma mesa de madeira antiga, lembrando sempre, com olhos úmidos, que a falta d’água ainda irá por deixar-me murcha, mas tendo a certeza de que sou o que sou, linda e tristonha, chafurdada em sonhos...

Eu, uma flor.

10 de junho de 2011

19.


Eu abri os olhos e tudo era colorido. Não sei porquê, mas o cenário me lembrava uma outra época, aquela dos filmes antigos, com castelos e vestidos grandes, e por falar em vestidos grandes, era o que eu vestia, um formidável e simples, sem anáguas; meu cabelo estava solto, mas com uma trança pequena de cada lado, que ao longo de si mesmas se encontravam e viravam uma só.

Eu olhava fascinada, o castelo era enorme visto de fora, e aparentemente antigo, com janelas, chaminé e paredes de pedra, mas algo chamou a minha atenção: um pequeno caminho feito de pétalas rosas com extremidades brancas, o segui. Havia um portão ao lado direito, o qual empurrei emitindo um som típico do mesmo. Naquela parte havia um jardim lindo e imenso, era difícil não se perder, haviam flores dos mais variados tipos e cores, pássaros, árvores altas e borboletas. O vento batia, mas não estava frio, nem quente, um meio termo, eu acho. Ouvia o som dos pássaros e fechava os olhos pra ver tudo aquilo melhor, era encantador. Sorri e corri por entre as flores, as árvores, tudo, sorria e me perdia, até não saber mais de onde vim e nem pra onde ia, mas não estava preocupada em voltar, eu só queria ir e conhecer o que estava por vir, o mais depressa possível, antes que o sonho acabasse.