27 de novembro de 2015

95.

A segunda Grande Explosão


Explode mundo
Vira silêncio
Desintegra em pedaços minúsculos de terra,
de gente, de ódio, de dor
Vaga tranquilo
em pequenas partículas sem gravidade
Feito um vulcão
há muito tempo morto

As estrelas guardarão tua história
em segredo
E jamais nenhuma outra vida
conceberá a ideia da tua estupidez

18 de outubro de 2015

94.

Chaminé 


À noite, bem no escuro
- uma luz tímida vinda do poste através da janela -
Quando ninguém te enxergaria
Queria tanto sua presença

Você sempre aparece
Como um amigo imaginário
No oculto
No sonho
Nos lugares escondidos
onde só eu posso te ver
Nas fugas
Nos medos

Como um sussurro atrás do ouvido
Meio engraçado e zombeteiro
Outrora sério, quase cinza
Me canta um poema triste
Faz uma careta
E vai embora

Feito um fantasma com febre
Moribundo
Interessado em saber
Se existe morte
Após a vida

2 de outubro de 2015

93

Tesseract

Não sei mais dizer
assim e pronto
sem fazer
as palavras dançarem

Tenho uma ideia
mas apenas contá-la
é simples demais
para o poema

Ele possui uma
quarta dimensão
que se chama flor

transformar a ideia em poema
é não só contá-la
mas além disso
(e ao mesmo tempo)
é plantar
regar
e nascer

1 de outubro de 2015

92.

Sobre os amores-totem

Lembrei-me da iconoclastia
Livrei-me dos toténs que habitavam meu altar de flores
Joguei-os no chão
Os fiz em padaços
Subi os degrais do altar em glória
Dancei a música que só eu ouvia
Cumpri a lei e
Jamais adorei nenhum outro deus além de mim

17 de agosto de 2015

91.

MORADA


procurei aflita
algum pedaço
de coisa qualquer
que eu conhecesse

algo que olhasse pra mim
e que eu entendesse
e me entendesse de volta
p'reu poder respirar
tranquila
e não ter medo

mas as poucas e raras coisas
que me eram familiares
estavam perdidas
atrás de grandes móveis
e poeiras de problemas

*

lembrei então do poema
corri pra barra da sua saia
ouvi e cantei canções de sabedoria
criei eu mesma um rosto
que fosse "casa"
feito de palavras

soprei os versos pelo nariz
ele viveu

o rosto tinha a minha cara
o meu sentimento
e eu já não era medo

31 de maio de 2015

90.

Floricidade

Há um monstro
na barriga do mundo
que geme
e ruge

Há um monstro
na barriga do mundo
que tem deixado
as pessoas doentes

Tem comido a felicidade,
toda e qualquer felicidade
dos campos
e já não há mais flores

Pobres de nós
que nem percebemos a maior pandemia
que é esse vírus
de não ter paz
de não ter dança

E nessa anti-dança
a mente adoece
e também os corpos já não suportam
o peso do mundo

21 de maio de 2015

89.

Flor rindo


Tem me batido uma vontade de ser ritmo
ser água nas pedras
ser terra
ser formiga
ser espírito
dançante
e dar no pé
que tem no fundo lá de casa
pé de jambo
no chão rosa de flor
ser criança
ser gerúndio
e gerânio